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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A perda que não se substitui…


Imaginas sem ver

A felicidade de um sorriso

E é nesse momento preciso

Que sentes a saudade a crescer

Pensamento que mói

Saudade que dói.

A vontade, o sonho

A embriaguez

De recordar sua imagem

Como aquela primeira vez.

Saudade que mói

Pensamento que dói.

O pai que a vida nos deu

O amigo que a vida nos leva

Eterno no mundo seu

Qual maçã, de Adão e Eva.

Um dia esta menina

Vai-te ver ao virar da esquina.

Poeta escondido, 25-02-2010

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Clube Bilderberg… A sociedade secreta.

Bilderberg club, foi formado no início de 1954. O objectivo inicial seria o de travar a crescente onda de anti-americanismo na Europa Ocidental, ou seja, o lado de cá do Muro de Berlim. Como o primeiro encontro foi realizado no Hotel Bilderberg, Holanda, adoptaram o nome para o clube que estava dando os seus primeiros passos. Tinham como intenção criar um movimento entre a Europa Ocidental e a América do Norte, assente nas figuras mais poderosas e influentes destes dois continentes. A unificação da Europa possivelmente começou a crescer dentro do clube. Todos os anos eram convidados cerca de 100 novos influentes da esfera politica, empresarial ou Organizacional. Apenas em 1988 foram convidados dois portugueses para assistir a uma reunião anual, Jorge Braga Macedo e Pinto Balsemão. O primeiro, depois de se licenciar na Faculdade de Direito de Lisboa, rumou aos EUA (Universidade de Yale), onde viria a obter o grau de mestre em relações internacionais, e doutor e mestre em Economia. Quando foi convidado em 88 a ir ao clube, era também consultor do Banco Mundial. Já o segundo, (Pinto Balsemão) depois de um passado (e presente) jornalístico e político, preparava a entrada na comunicação social portuguesa. Dizem as más línguas… que desde 88 Pinto Balsemão é o responsável pela escolha dos novos membros do clube “New World Order”, também conhecido como clube Bilderberg.

Este clube dos novos donos do mundo, tinha como membros, para além de DONALD RUMSFELD (lembram-se dele), Gente influente na comunicação em massa (tipo: P. Balsemão), Economistas da banca, especialistas em defesa (DR), Ministros de governo, lideres políticos (Sócrates esteve lá em 2004), famílias reais, ONU, FMI, Banco Mundial, NATO, e muitos, muitos mais.

Segundo o jornalista lituano Daniel Estulin, esta organização de auto eleitos formada há 52 anos eram os SUPER DONOS do mundo. De acordo com a sua investigação, o grupo pretende dominar o mundo através de um único governo. A ONU seria uma fachada para conseguir dominar todos os seres humanos, economia única, sistema jurídico único e… utilizando os sofisticados meios de comunicação ao seu dispor…

Com isto, não quero desenvolver muito mais, deixando ao critério de cada um que visitar esta página, espaço para formar um pensamento relacionado com tudo isto. Tendo em conta aquilo a que assistimos no momento com as demissões na PT relacionadas com a procura do domínio nos média, julgo ser actual esta publicação para todos nós reflectirmos no futuro. Quanto a Donald Rumsfeld, voltarei a publicar mais histórias muito mal contadas, que com toda a certeza minha, tiveram a protecção desta Nova Ordem Mundial.

Poeta Escondido, 23-02-2010

Negócio das Gripes...


Um dia, quando estava há mesa, a comer uma Raia frita c/ arroz de tomate em casa dos meus pais, ouvi a minha mãe dizer: - O teu irmão, foi ontem levar a vacina contra a gripe A!
Não podia ficar indiferente e tentei expressar a minha opinião em relação a esse assunto. Porém não me poderia esquecer que estava a falar com duas pessoas que, por norma, ficam alarmados com as notícias do telejornal da TVI.
Depois de explicar que determinadas notícias valem o que valem, e que não deveriam ficar alarmados, expliquei que havia uma grande contestação a nível mundial contra essa vacina.
Porém, para alguém que acredita em tudo o que ouve e vê nos “média”, não era uma explicação fácil. A televisão tem um poder enorme sobre a sociedade de um país. Os governos e as classes socioeconómicas dominantes utilizam esses “ média “para manipular essa mesma sociedade, de um país, de um continente, ou de um mundo que tem televisão. Aos outros chegará pela rádio ou pelos jornais.
Faz muito tempo, habituei-me a filtrar as notícias, os jornalistas são pessoas como nós embora com outra profissão, por vezes publicam artigos próprios, noutras será com ordens superiores. Em todas essas notícias existe uma opinião pessoal formada pela descoberta da notícia e nem todas as fontes que levam a essa notícia são totalmente verdadeiras. Se estivermos a falar de manipulação, então sim julgo que facilmente se levará uma pessoa, que neste caso será jornalista a acreditar em determinado facto. Não estou a falar de jornalismo de investigação claro, mas de jornalismo noticioso, tipo aquele que um dia vi no rodapé de um telejornal de uma televisão nacional: “ Temporal que assolou a costa Oeste, fez pelo menos um desalojado”. Como se fosse necessário um temporal para deixar alguém (UM) desalojado.
Com a conversa sobre a vacina, entrou-me pelo pensamento dentro uma personagem que, em tempos, via regularmente na televisão. Donald Rumsfeld associado a quase tudo o que mexia com politica local americana, politica internacional, FMI, petróleo e tal… Fiquei curioso em relação a esta personagem e a facilidade com que se movimentava, quando era secretário de defesa dos E.U.A, chefe de gabinete na Casa Branca e mais tarde novamente secretário de defesa. Resolvi então, conhecer o passado deste senhor, e o porquê, de ter tamanha influência na sociedade mundial. Queria também com isso, entender a ligação de Donald Rumsfeld a esta vacina.
Quem é Donald Rumsfeld? Nascido em Illinois a 9 de Julho de 1932, DR estudou em colégios privados, universidade, até chegar á Marinha dos E.U.A em 1954 como aviador naval onde se manteve até 1957. Foi precisamente neste ano que resolve iniciar a sua carreira politica. Primeiro como assistente administrativo de um deputado, depois como assistente pessoal de um congressista, depois…resolveu espreitar o privado na A.G.Becker onde esteve de 1960 a 1962 antes de ganhar a eleição para a Câmara de Deputados dos E.U.A. Por ali andou até 69 (nº muito sexy), com a entrada na administração Nixon, assumiu vários cargos de directoria. Em 73 era embaixador dos EUA na Nato. No ano de 1974 Gerald R. Ford chamou-o de volta a Washington para fazer parte do seu governo onde em 1975 já era 13º secretário de defesa dos EUA (o mais novo de sempre). Em 1976 dá-se a primeira curiosidade. David Lewis, um recruta do exército americano, falecera em menos de 24 horas, depois de se sentir cansado. Enquanto outros membros do exército adoeciam, saiu a confirmação da causa da morte daquele jovem, “gripe suína”. O pânico estava lançado. O presidente Gerald Ford, determinou que toda a população fosse vacinada. Resultado: 25 mortes em 40 milhões de vacinas (o programa foi interrompido) causadas por efeitos secundários, apenas 200 infectados, e… mortos? Só D. Lewis! A cura matou mais que a doença, no entanto o governo investiu cerca de 140 milhões de US$ para um programa de 40 milhões de vacinas e divulgação nos “média”, vários canais de TV pediam á população que se vacinasse. Com toda esta bronca, G. Ford perdia a reeleição para Jimmy Carter.O nosso amigo DR, provavelmente com a experiencia adquirida, resolveu ser Director executivo (da junta de directores) no ano seguinte, da multinacional farmacêutica G.D. Searl & Company. Quando presidia a essa farmacêutica, DR e seus colaboradores, desenvolveram o Tamiflu, um antivíral usado no combate ao vírus H5N1 (gripe aviaria). Em 96 venderam a patente á Roche Helvética.
O alarme aconteceu quando o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos lançou, uma previsão de pandemia e que iriam morrer de 27 a 150 milhões de pessoas com o vírus em todo o mundo. Porta-voz da noticia, G.W.BUSH com o seu secretário de defesa, DR.
Depois de facturarem US$ 248 milhões em 2004, um bilião em 2005, a participação que DR tinha na G.D.Searl&Company (que se supunha ser de US& 5/US$ 25 milhões), disparou para US$ 35/US$ 47 milhões. As acções da empresa, subiram cerca de 7005, quando todo o mercado estava em baixa. De referir que, desde o final de 2003 até Junho de 2005, apenas 63 pessoas tinha morrido na Ásia, com sintomas de gripe aviaria. O nosso DR como secretário de defesa agiu perante o perigo de pandemia e orçamentou US$ 1 bilião para combate á doença. Ao todo, cerca de US$ 4 biliões, foram gastos no combate á doença. Ajudado pelos média, que a toda a hora noticiavam uma ave com o vírus por tudo o que era pais (Irlanda, França, Croácia, Kuwait, etç…), com poder económico para adquirir a vacina (em África não havia aves infectadas), a coisa resultava e… muito bem.
Com o passar do tempo, a coisa foi acalmando e o Tamiflu precisava de levar novamente um empurrão comercial. Do H5 N1, voltou-se ao H1 N1 (agora mais actualizado) de 1976, aquando a passagem de DR pelo governo de G.Ford, curioso…muito curioso.
Ah… A Roche Suíça, entretanto tinha ficado com 90% da produção mundial do anis estrelado (arvore de onde se extrai a base do Tamiflu). Uma questão que coloco é: se não houver uma venda em massa de Tamiflu, o que fazer com tanta produção?
Depois é aquilo que todos já sabemos, uma corrida em massa á compra da vacina (estima-se que só na Europa já tenha ultrapassado as 150 milhões), novamente o pânico nos média, etç, etç…
A conclusão que tiro é: provavelmente daqui a 1/2 décadas, estamos a ver no canal História, a grande fraude do início do Século. Por outro lado, espero que a cura não volte a matar mais que a doença. Quanto ao nosso DR digo o que ouvi num dia algures, “ Não há um polícia que veja isto”… Voltarei a falar neste tóxico de nome DR…
Poeta escondido,23-02-2010.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Divagando...Efeitos globais.


No já distante ano de 1985 tomei a decisão (com um amigo) de ir á boleia para França. No pensamento, tinha uma enorme vontade de cruzar fronteiras. Nessa altura, antes de ir, tive alguns contactos com emigrantes e gostaria de ver e sentir como seria a vida por lá. Tolerante, viajei com um espírito aberto e sem ideias fixas a respeito de nada. Como objectivo inicial, só queria conseguir algum trabalho que me permitisse ficar por lá algum tempo e, com, isso conseguir alguma independência na carteira de forma a ficar o menos limitado possível.
Foi uma opção minha, pois por cá o país não estava fácil. Havia a necessidade de abrir novas portas, novos horizontes, e o desconhecido poderia ser uma hipótese.
Com isso, e talvez por a viajem ter sido realizada á boleia e com toda a liberdade que se sente, sentia-me um cidadão livre, não só no meu país e na Europa mas, também no mundo. Como sempre, e com todos os ensinamentos de criança recebido pelos mais velhos, respeitar para ser respeitado era um lema. Sem preconceitos raciais, sociais, sexuais ou religiosos, pensava estar á altura desse desafio.
Já em França, muitas das noites foram passadas na estação de comboios. Era quase minha, apesar de ser um bem comum, tratava-a como se da minha casa se tratasse. Um dia, ao acordar num jardim entre dois prédios, uma senhora aproximou-se e convidou-nos para comer uma sopa quentinha. Isso, era algo que já não nos passava pela garganta quase há um mês e, ainda por cima quentinha numa manhã fria de Outono, era sinal que tudo iria mudar. Era uma imigrante de Braga em França há 30 anos com filhos da nossa idade.
No dia seguinte fomos com a sua filha a uma pequena agência de emprego com o intuito de saber se havia pedidos para trabalho na vindima. Na altura, vivíamos um pouco com a expectativa de saber o que era isso da CEE. Para nossa surpresa e apesar de Portugal ter assinado o acordo de entrada na CEE nesse Verão de 85, os nossos direitos de cidadãos da CEE só entravam em vigor a partir de 1 de Janeiro de 1986. Ficámos a saber então que, os ingleses estavam primeiro e eram encaminhados por eles, enquanto isso nós tínhamos que esperar o ano seguinte. Só havia uma solução, a tal que hoje em dia faz furor na publicidade: o porta a porta, boca a boca, palavra a palavra.
Fomos para a estrada visitando dezenas de quintas. A primeira dificuldade surgiu logo na primeira que visitámos quando nos disseram que a apanha da uva seria efectuada por máquinas. -Máquinas! Para apanhar a uva! - Exclamei eu.
Não era fácil acreditar que em 85, os franceses vindimassem já com máquinas. Para mim era uma novidade completa e isso só iria tornar o nosso objectivo mais complicado, mas…mais divertido também…

Mudança. Nessa estadia por França, queria aproveitar o facto de lá estar para ver que tipo de oportunidades havia, tanto a nível profissional como pessoal. Seria talvez um teste. Tentar perceber se tinha espírito para trabalhar noutro país que não o meu, falar outra língua que não a minha, viver uma cultura diferente no dia a dia, os jornais, a televisão, a musica, a comida, os hábitos, enfim, tudo o que nos faz sentir “estrangeiros” e estranhos. O viver uma vida a falar uma língua que não a nossa era talvez o maior entrave. A falta da família não era problema, já a falta da comida da mamã era. O facto de cada hora, cada dia ser novo para mim fazia com que esquecesse tudo.
Em Portugal, a vida não estava nada fácil. Uns anos antes, a guerra colonial tinha absorvido grande parte dos nossos recursos económicos, e isso, condicionou de forma brutal o nosso crescimento económico. Enquanto as nossas economias estavam a ser consumidas por uma guerra distante, os países na Europa desenvolviam-se com uma rapidez fantástica.
Para além da guerra, acabámos por perder recursos. Enquanto a Europa florescia, muito á conta de acordos feitos entre os países. Um deles seria a CEE ou “mercado comum”.
Vivendo numa ditadura, era impossível fazermos parte desse mercado nessa época, e talvez por isso mais tarde, com a entrada de mais de um milhão de portugueses oriundos das colónias em Portugal, mais centenas de milhares de refugiados que iam chegando enquanto a guerra durava, aumentava a crise em Portugal.
Isso levou muitos de nós a procurar soluções de vida nesses tais países que se desenvolviam rapidamente. A procura de emprego, melhores condições sociais, liberdade, direitos humanos para o cidadão e suas famílias era de facto o objectivo do povo. Ao viajar num comboio em 2ª classe eu sinto-me perfeito, não preciso mais para ser feliz. O problema surge quando a 2ª classe fica minúscula para tanta gente, quando fica gasta, desconfortável, e o pior quando não há expectativas ou ilusão de que possa ficar melhor. Então…chegou o momento de procurar a 1ª classe, a todo o custo.
Esse é o principal motivo que leva alguém a deixar suas terras.” A procura de uma vida melhor”, poderia ser muito bem um título de um livro sobre os fluxos de emigração emergentes. É lógico que haverá outros motivos como por exemplo a baixa natalidade na Europa, a falta de mão-de-obra mais barata, muito aproveitada pelas grandes multinacionais da construção e industria, a competitividade de preços depois da globalização.
A globalização? Ela já existia á muito, muito tempo, apenas foi adoptada pela economia dos G´s (G6, G7, G8 e agora G8+5). É curioso que globalização comece por G, não é? Essa mesma letra (G8), ou esse clube melhor dizendo, é nem mais nem menos o clube mais abastado do mundo. Acredito, que já lá vai o tempo em que os políticos controlavam o sistema empresarial, agora, são as grandes multinacionais que controlam o sistema politico mas… isto não passa só, de uma opinião pessoal. O grande contra da globalização, é sem duvida o facto de esses grandes glutões (multinacionais) do mercado global e livre, não deixarem desenvolver as empresas locais. A favor, existe um comércio livre, claro. Acham que os países mais pobres ganharam algo com isso?
É que essa, foi a ideia que nos venderam na época. Aquela velha História de que “ Isto é bom para todos”.
Tornaram-se dependentes dos G´s!

* Foto de José Araújo.

Livro meu...part 7 (Piano II)


A sala reagiu aplaudindo de uma forma vigorosa como se já conhecessem o tema e, o tivessem ouvido muitas vezes.
Pablo estava surpreendido.
Tontices, era uma letra em forma de poema que tinha escrito á pouco tempo e enviado pelo correio dentro de uma caixinha de musica chinesa embrulhado em papel com cheiro a rosas.
Pablo não queria perder nada, Eva começara a tocar e Pablo quando ouviu o primeiro verso da sua letra, levantou-se, furou por entre a multidão e entrou por aquele jardim das delícias encantado, ajoelhou-se e…por ali ficou.
Eva cantava:
Sinto-me tonta por dizer
Que não precisas de te ajoelhar
Quero sentir e viver
Tudo o que tens para me dar.

O público não sabia que aquele homem ali ajoelhado com ar de campista era Pablo, o autor daquela letra. Ele não queria perder nada, sentia o desejo de ver de perto a boca de Eva gemendo aquele poema, queria ver de muito perto seus dedos deslizando suavemente pelas teclas revestidas a marfim do piano, precisava de sentir aquele coração batendo perto do seu.
Eva continuava:

Dentro de mim, a chuva
O sol, a humidade
Se transforma em suor
Que pinga felicidade.

Tontices…tontices…tontices…
Que me acende a ilusão
Tontices…tontices…tontices
Que me traz de volta nossa paixão.

Tontices…tontices…tontices…
Que me acende a paixão
Tontices…tontices…tontices…
Que traz de volta nossa ilusão.

O público cantava o refrão, Pablo não, a sala entoava a canção, Pablo não.
Pablo estava num mundo a preto e branco como o cartaz de “Casablanca” por cima do piano, envolvia-se num mundo de surdos e mudos onde, só aquela expressão, aquele movimento dos lábios e das mãos o entendessem.
Pablo estava a viver um momento de uma vida, um momento para recordar biliões de vezes sem nele ter que pensar.
Pablo estava flutuando naquele real jardim de delícias *.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

*Jardim de delicias:




É um trabalho do pintor holandês Hieronymus Van Aken apelidado de Bosch por viver em Den Bosch na Holanda. Pensa-se que foi pintado em 1504.O seu trabalho reflecte o mundo a partir da criação, o paraíso, o inferno, o amor, a utopia a tentação e o pecado mas… sobretudo a ilusão, o amor e… gente nua, despida de preconceitos.
- Poderá ser visto no Museu do Prado em Madrid.

Livro meu... part 6 (musica)


Piano
A reacção que Pablo esperava chegou pelas teclas do piano. Eva resolveu dedicar-lhe uma canção sem lhe dizer nada.
Pablo voltou-se lentamente no banco e observou aquele cenário fantástico.
Eva tocava o piano com uma sensibilidade fantástica na ponta dos seus dedos que deixava transparecer uma delicadeza brutal.
Aquelas teclas há muito que não se sentiam tão importantes ao toque de alguém. Agora era diferente, quando a tecla sentia o dedo… ou melhor, a profundidade de um sentimento na ponta de um dedo, percebia que era muito mais que uma nota musical, era a intensidade de um momento, de uma vida.
Havia uma cumplicidade mágica entre aquelas mãos e as teclas.
Na esplanada do bar toda a gente o sentiu, e entraram num silêncio mudo.
Pablo ao balcão, arrepiava-se, estava perplexo, de repente no bar não havia mais nada, podia passar um comboio, cair um avião, que Pablo não desviava o olhar daquele piano, não queria perder um segundo do que estava a acontecer.
A música era de Luz Casal, piensa em mi.
( http://www.youtube.com/watch?v=mgjtSEjlgbM )
A voz era grave, muito grave, algo rouca aqui e ali de sofreguidão, deixando transparecer uma tristeza escondida, o ritmo era suave, muito suave, como se esperasse pelo tempo que levava as palavras a percorrerem a distância entre o seu coração e seus lábios trémulos, o som… vinha do chão, do tecto, das paredes e fixava-se no ar.
As pessoas presentes, respiravam-no, Pablo aspirava-o.
Eva tocava para encantar, cantava para embalar.
O povo que passava na rua, escutava, e aproximava-se.
O velho bar era agora pequeno para tanta gente e minúsculo para tanto talento.
A música terminou e o publico estava em delírio, há muito que não viam cantar assim, o povo aplaudia lá fora, já ninguém podia entrar.
Eva fez uma tentativa para se chegar a Pablo mas, o publico não deixava, pediam mais uma. Espaço no velho bar, só mesmo junto ao piano, ai sim era um verdadeiro jardim de delícias como no quadro de Bosch, isto era só um pouco do que ia na cabeça de Pablo.
Eva pegou no microfone e disse:
- Agora vou cantar uma música minha com letra de Pablo que se chama “tontices”!

Livro meu...part 5 ( O Controlador)


Jordi estava a trabalhar, não lhe passava pela cabeça o que estava a acontecer naquele velho bar. Nem o nome escolhido como tema para aquela noite tinha entendido.
Jordi estava um pouco inseguro, não sabia bem qual o significado de Pablo na vida de Eva.
Por outro lado não se sentia muito preocupado com isso pois, achava que fazia tudo bem, era muito cordial, muito meticuloso, ele procurava nos livros respostas para as suas perguntas.
Facilmente se poderiam encontrar livros desse género na sua mesa-de-cabeceira, tipo: “Como conquistar as mulheres”, “como manter uma relação”, Jordi era um pouco os livros que lia, era perspicaz, fazia disso a sua religião.
Jordi era um controlador aéreo, passava muito tempo com as suas máquinas, concentrado com o pensamento ocupado e não entendia que as relações por vezes têm que ser regadas como uma planta.
Jordi tinha estilo, a sua roupa era devidamente passada a ferro até perder por completo suas rugas, seus vincos, o seu cabelo parecia penteado um a um, sua pele era brilhante e cremosa, seus sapatos castanhos de berloques eram engraxados diariamente, era coleccionador de relógios Swatch que trocava quase diariamente para combinar com o colorido da roupa que usava, os pólos e camisas de marca que vestia eram cuidadosamente colocados por dentro das calças, os cintos eram também uma sua perdição, usava-os com distinção, gostava de se mostrar ao volante do seu Audi TT ouvindo umas musicas da moda.
Jordi era um consumidor, tinha pinta, muita pinta, e isso deixava-o seguro, ele era ponderado, o seu interior era fabricado, já perdera toda a sua genuinidade e não o entendia como defeito, para ele tudo eram virtudes.
Jordi vivia num duplex em Cádis junto há baia num condomínio fechado, a sua casa parecia que nunca tinha sido mexida. Os livros que se inclinavam na estante tinham aspecto de nunca terem sido desfolhados, tudo estava em seu sítio.
Por viver num condomínio fechado, ele estava distante do povo e vivia numa realidade que não era muito social, como quem vive uma vida dentro de outra vida.
O inesperado não entrava na vida de Jordi, ele não ardia porque não sentia a chama.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Janela minha...


Janela minha…

Vejo o sol,
E a luminosidade…
Vejo a luz,
Da minha cidade.

Vejo as luzes,
Á noitinha…
A escuridão e o luar.
Desta cidade minha.

Vejo as traseiras da encosta de um Castelo,
Que sei que existe…
Vejo a doca,
E os barcos de quem nunca desiste

Na avenida…
Vejo uma torre, maior que o Nody
Que não devia ser construída,
Por respeito a Luísa Tody.

Vejo um porto.
Vejo gruistas…
Em vez de Cruzeiros,
Com turistas.

Cá deste lado,
Vejo a baía do nosso Sado.

Vejo fábricas e bordéis,
Onde deveriam estar Hotéis

VG. 20-02-2010

Um dia... (quando acordei e pensei escrever)


Um dia, igual a tantos outros, acordei pela manhã. Sentei-me na cama procurando sintonizar o meu pensamento.
_ Que teria eu para fazer de tão importante?
Depressa descobri que tarefas e rotinas, horários e encontros não existiam.
Sentia-me algo diferente.
Levantei-me, abri a torneira para a agua ir aquecendo lentamente, desfiz a barba de sete dias que me dava um ar desleixado e preguiçoso, esfreguei e esfreguei os dentes como se fosse possível voltarem a ficar brancos ou quase brancos, sem os vestígios de milhares de maços fumados numa vida de boémia.
Entrei no duche, usei e abusei da força do chuveiro como se a agua me limpasse os erros da vida e, por ali fiquei focado numa vida passada de” procuras” lá fora.
O tempo… esse controlador de nossas vidas começava a perder expressão.
Sentia-me diferente, cada vez mais… diferente.
No meu cérebro, o pensamento divagava por caminhos nunca antes percorridos, a velocidade era tal que… assustava. Por vezes sentia medo, ou o que isso representa.
Queria registar tempos e lugares, opiniões e pessoas, ilusão e magia, o medo que sentia…era o medo de não ter rapidez suficiente na minha mão ou na ponta dos meus dedos para o acompanhar e, escrever.
Queria escrever sem querer ser escritor.

Queria escrever até que a mão me doesse
Até que a tinta da caneta acabasse
Até que o caderno se enchesse
Até que o pensamento terminasse

Sentia-me distinto, poético, pensador.

As palavras…? Essas andam pelo ar á minha volta como se fossem notas musicais.
O tema…? Estará algures nesse caminho que agora decidi atravessar.
O género…? Terá que ser romanceado pelo respeito e gratidão pela ilusão com que esse “bicho” mulher nos alimenta.
Os personagens…? Pessoas com que nos cruzámos, cruzamos, ou nos iremos cruzar.
Quando…? Quando o pensamento fluir, as palavras iram-se ouvir.
Sentia-me dinâmico, capaz, ousado, equilibrado.
Chega…Chega de duche, chega de procurar lá fora aquilo que já encontrei cá dentro.
È tempo de fazer acontecer,
É hora de procurar e encontrar,
É o momento…
De escrever o pensamento.

O dia está lindo
E o sol me convida
Para a praia vou indo
Enriquecer minha vida

Ao fundo o horizonte
Afasta-me da vista curta
Por detrás de mim o monte
Parece que me escuta.




O mar tranquilo e silencioso
Entra e abre minha mente
Falando baixo o manhoso
Desperta-a suavemente

Oh! Que privilégio
O de poder estar ali presente
Enquanto o mar suspira
A mágoa que o povo sente.


13-10-2009
VitorG.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Livro meu...parte 4


O rapaz, sentado ao seu lado ficou completamente surpreendido, olhava para Pablo como se este fosse um fantasma. O rapaz não sabia da existência de Pablo.
- Eu sou Jordi, “O catalão”! Vivi e cresci em Barcelona e resolvi vir viver para cá por motivos profissionais! Ela é a Eva e é minha namorada!
Pablo sentiu a dor que a ultima frase lhe provocou e respondeu:
- Eu sou Pablo “O escritor”! Vivi e cresci pelo mundo e estou aqui por motivos pessoais. Ela é a Chica de Chiclana, minha musa, minha cadeira e minha cama, meu sol e minha chuva, é a terra que eu piso e o mar onde mergulho, é o meu sonho e a minha ilusão, é o ar que eu respiro!
Eva corou, não sabia se estava a viver um sonho ou uma realidade, não sabia se podia acreditar no que os seus ouvidos ouviam e os seus olhos viam. O seu coração ouvia-se na esplanada do bar.
Jordi continuou sentado, mas no pensamento de Pablo, tinha dado dois passos para trás, estava agora um pouco mais distante.
Pablo tinha bom coração, sentiu que o rapaz estava de rasto e… inesperadamente, afastou-se. Voltou para o seu lugar no balcão do bar, pediu outro gin e sentou-se voltando as costas á mesa donde tinha saído. Para Pablo era obvio que eles tinham que falar.
Ao balcão, começava a sentir-se pouco confortável com a posição que tinha tomado, ele pensava que tinha deixado sua musa numa situação muito difícil.
De costas para a mesa, Pablo ainda ouviu:
- Voltaremos a falar amanhã! Disse Jordi num tom de voz mais exaltado.
Jordi era controlador aéreo no aeroporto de Jerez, trabalhava para a Spanair e tinha sido transferido de Girona.
Tinha uma aparência tranquila, era magro, penteadinho com um aspecto muito limpo, usava um pólo Lacoste e calças chino, notava-se uma preocupação excessiva com a sua imagem, de como os outros o viam, ele tinha um ar sério e domestico, seria um rapaz perfeito para grande parte das mulheres.
Pablo era o oposto, era forte, despenteado com um aspecto de campista, usava uma camiseta de uma banda de rock alternativo e calça de ganga, não se preocupava muito com a sua imagem e, muito menos como os outros o viam, ele era despistado, despreocupado, tinha um ar brincalhão, alegre e só queria viver a vida naturalmente, deixando a vida acontecer. Por vezes parecia que vivia num mundo distinto.
Pablo pediu mais um gin, estava mais tranquilo, esperava uma reacção de Eva.

Livro meu... parte 3


O bar tinha um aspecto velho de antigo e um ar novo de moderno.
Velho, porque se respirava história, na parede por cima do piano, havia um cartaz do filme “Casablanca” de 1942 com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman em grande plano, por baixo o pianista Sam perdia algum protagonismo. De um lado, outro de “E tudo o vento levou” de 1939 com uma foto do saudoso Clark Gable, no outro um cartaz de “Citizen kane” de Orson Wells datado de 1941.
O piano era único, de cauda inteira, feito de madeira nobre, as teclas eram revestidas a marfim o que fazia Pablo pensar que estava perante uma peça de arte de um museu. Ele sabia que o marfim há muito que estava proibido, depois de uma convenção na Suíça foi decidido preservar os animais que davam origem a esta matéria-prima, os Elefantes.
Por cima, no tecto uma frase escrita de difícil leitura dizia o seguinte: “ O que não pode voltar a acontecer”, ele olhou melhor e, reparou que a frase estava escrita num desenho de um avião enorme que ocupava quase todo o tecto do bar, parecia quase real. Mais abaixo um volume com aspecto de bomba atómica estava pendurado por uns fios quase invisíveis ao avião e, suportava quase toda a iluminação do bar.
Foi então que percebeu que só poderia ser o bombardeiro Enola Gay e a primeira bomba atómica lançada em 1945, era curioso, tantos factos da década de quarenta.
Talvez o bar tivesse sido inaugurado nessa época, pensava ele. Pablo não achava grande piada ao facto de poder estar sentado numa mesa por baixo daquela enorme bomba, talvez por isso se sentisse confortável no balcão do bar.
O bar tinha também outro lado mais novo, mais moderno, pelas curvas que apresentava, pelas cores, pelas bebidas, pelos copos, pela disponibilidade das pessoas, pela luz.
Entretanto Pablo não encontrou nenhum buraco grande, o suficiente para se enfiar lá dentro e a desilusão que se tinha apoderado dele desaparecera.
Ele tinha que fazer algo, Pablo era destemido, ousado e tinha uma grande capacidade para o improviso. De repente, levantou-se e dirigiu-se para a mesa onde estava a ilusão que o tinha levado ali, a Chica de Chiclana.
Pablo sentou-se e disse:
- Olá! Eu sou Pablo!
Aquele “Olá” caiu naquela mesa como um raio de luz, fulminante, muito forte mas ao mesmo tempo cordial, aberto, sereno, embora um pouco atrevido. Ele queria mostrar que era boa onda, que estava ali com um bom espírito.
Já aquele “Eu sou Pablo” caiu que nem a bomba atómica que estava por cima da mesa, pesada, explosiva.
Ela ficou perplexa com o que seus olhos viam, os mesmos que lá no fundo escondiam um misto de satisfação e nervosismo, não sabia se havia de chorar ou sorrir.

Livro meu...part 2


Por baixo do painel que supostamente indicava o nome do bar “ Dia a Dia “, havia um quadro grande e preto e giz, muito giz. Nesse mesmo quadro estava escrito “ Tontices “ de uma forma que despertava a atenção geral.
Pablo ficou atraído pelo que via e resolveu entrar, estacionou o seu carro junto de um sinal “ proibido estacionar “ e entrou.
Dirigiu-se ao balcão, puxou um banco de madeira alto e robusto e sentou-se. Tirou um cigarro amarrotado do seu maço amachucado que fez toda a viagem no bolso esquerdo da sua calça de ganga e acendeu-o. Por traz do balcão uma Chica ruiva de olhos verdes, com um sorriso de quem sabe receber bem quem não conhece, perguntou:
- Vai tomar algo?
-Sim, quero um gin tónico por favor, mais gin que tónico! Disse Pablo.
A ruiva sorriu, preparou a bebida e serviu Pablo.
- Aqui está, muito gin e pouco tónico! Disse a ruiva com olhar meigo e um sorriso largo.
- Por favor, pode dizer-me o nome do bar! Retorquiu Pablo.
- Sim claro, no papel é “dia a dia “ mas na realidade hoje e só hoje é “ tontices”! Disse a ruiva com ar de tonta.
Pablo estava fascinado, era exactamente isso que ele tinha pensado mas queria confirmar e então respondeu:
- Desculpe mas não entendo!
A ruiva olho-o com um ar mais sério, pois Pablo aparentava um ar culto, inteligente e a pergunta soava um pouco descabida.
- Aqui, mudamos o nome todos os dias, o nome do quadro enorme e preto é um pouco da ilusão que queremos passar, tipo… a alma da casa. Se por exemplo o nome para o dia é “branco”, as pessoas vêem vestidas de branco, se o tema é “Cuba”, elas vêem beber mojitos, rum e dançam música cubana e assim sucessivamente, é um bar de muita ilusão, entende?
-Sim, claro, então hoje é noite de fazer tontices, certo? Respondeu Pablo.
-Sim, é isso! Disse a ruiva com um ar atrevido.
- Então, diga-me o seguinte! Sabe quem é a Chica de Chiclana? Perguntou Pablo na sua inocência.
-Sim, claro! Toda a gente por aqui sabe, está ali! Disse a ruiva apontando o dedo.
Olhei na direcção do seu dedo e…lá estava ela, numa mesa junto ao piano com um rapaz que tinha a mão sobre a sua.
Procurou um buraco pelo chão do bar baixando a cabeça.

Livro meu...part 1- Numa Tarde


Pablo estava louco, destemido, corajoso.
Ele queria sair procurando a imagem que devorava sua alma, o ser que violava seu pensamento, os olhos que constantemente o espreitavam, a mulher com que sempre sonhara e…partiu na procura de tocar, ver e sentir bem perto sua ilusão.
Fisicamente partiu só mas, aquela imagem o acompanhava sempre. Com ela tomava o pequeno-almoço, com ela almoçava e jantava, com ela dormia e acordava. Era o chão que pisava, as paredes que o limitavam o tecto que o protegia, a rua que ele via, Pablo sentia empatia no pensamento e isso deixava-o seguro. Pablo não queria esperar mais, ele já não queria sofrer mais com a distância que os separava, ele queria aproximar a ligação que os unia, queria ver, sentir, cheirar, tocar.
Conduziu quinhentos e sessenta km para viver sua ilusão, Pablo sentia uma enorme satisfação pelo que estava a fazer, era a única coisa na vida que naquele momento interessava, tudo o resto era secundário.
Pelo caminho, Pablo sentia que o nervosismo aumentava, que os seus olhos se arregalavam, seus lábios estavam trémulos, suas mãos mais sensíveis, Pablo estava a sentir a adrenalina de um primeiro encontro.
Ninguém o conseguia parar, nada o faria desistir, Pablo estava decidido, era um homem de fortes convicções e quando acreditava seguia até ao fim. Pablo tinha um passado de aventuras e a procura, era o seu elixir.
Pablo aproximava-se cada vez mais do seu destino, e quanto mais se aproximava mais sentia o seu sangue a aquecer, o seu coração batia mais forte, mais rápido, sua cabeça procurava controlar mas não estava fácil. Pablo estava quase a chegar, tinham passado cinco horas e Pablo não sabia o que ia encontrar. Pablo era um homem tímido, respeitador, sensível e honesto com os outros, Pablo cultivava o bem, semeava amizades, Pablo deliciava-se com o bem estar e a alegria dos outros, ele era gentil mas muito orgulhoso, introvertido, expunha-se com facilidade á ilusão.
A ilusão era parte de sua vida, ai ele dominava porque não conhecia limites, Pablo era criativo, irreal, no mundo da ilusão Pablo não tinha que sentir responsabilidade e isso deixava-o solto como um pássaro no ar, como peixe na água.
Pablo estava a chegar ao seu destino e já a noite se fazia sentir, escura, quente e misteriosa.
Pablo não sabia por onde começar a procura mas, ele era um sortudo, naquela noite era Maomé, se ele não chegasse a ela, ela chegaria a Pablo.
Ao passar por uma esplanada de um velho bar, ele reparou em algo curioso.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Marrocos


Numa bela manhã de sol, com quase 40 graus de temperatura fui visitar o mercado de Marrakech. A cultura é totalmente diferente da nossa e isso cativa pela diferença. Quando estava a ver um tocador de serpente, senti um toque suave e delicado no meu ombro direito, virei-me e… fiquei de frente para uns grandes olhos azuis, azuis da cor do céu nos seus dias mais bonitos e limpos. Um olhar jovem aparentando alguma dor e sofrimento. Um olhar profundo de uma clareza impar. Sim, é claro que fiquei fascinado com a pureza daquele olhar, tudo o que me rodeava desapareceu para parte incerta, estava focado, já não havia movimento e ruído à minha volta. Só uns olhos, uns puros, profundos e sofridos olhos.
Era uma vendedora, não cheguei a perceber o que vendia, estava KO, out… num mundo de imaginação e indignação que era meu. Era a única parte do corpo daquela jovem que era possível ver. Uma Niqab negra com um véu cobria-lhe todo o corpo. Era um sofrimento ver alguém assim, não só pelo calor desconfortável mas… pela beleza escondida, pelo olhar oprimido, por uma vida que não existia. Provavelmente, eu estaria muito mais confuso que ela. Quando vivemos com alguma liberdade, tudo nos parece tão natural que por vezes já não lhe damos muita importância, a não ser que algo nos faça pensar nisso. Foi o que aconteceu, imaginar a vida daquele ser humano era difícil mas, ela não conhecia a diferença. Um hábito por obrigação faz parte da sua cultura. Era um país diferente com uma cultura diferente e hábitos diferentes. Não podia tentar ajudar, percebi que só deveria entender e isso, isso estava naquele olhar.
A partir daquele momento fiquei mais tolerante com a diferença de culturas e hábitos do ser humano. Cada vida é uma vida e o tempo que passamos nela é curto para mudar o destino de todos. Talvez, o facto de estarmos rodeados de opiniões diversas, nos leve a ser o que somos. Ser livre, é isso também. Não ter “cabeça feita” por um político, um religioso, um director do que seja, um jornal, uma televisão, enfim… Quanto a mim, espero preservar essa liberdade de decidir o que quero com a mente aberta respeitando os outros. Os defeitos e as virtudes de uma sociedade, também nos ajuda a crescer.
Triste, muito triste é só existir uma vida e aquela pessoa ser obrigada a passar por ela assim…
_____Fotografia de Ana Chora, autorizada por Ana Chora.

Como fazer um livro?


Um dia, quando procurava pela net alguma ajuda para... encontrei esta história curiosa:
Ao ler sua pergunta, lembrei-me uma história que teria acontecido a Mozart, em que um jovem, abordando o famoso compositor, queria entender o que era necessário para compor uma sinfonia. Muito gentil Mozart respondeu que era melhor começar com baladas porque sinfonias exigiam experiência. "Não me venha com esse argumento", disse o rapaz. "Você escreve sinfonias desde os 6 anos de idade". "É verdade", respondeu Mozart.
"Mas, eu nunca perguntei como se escrevia".
PS- É claro que parei de procurar...

Inicio dos anos 80...

Na época, Portugal era talvez o país mais atrasado da Europa Ocidental, as empresas que pertenciam ao estado viviam com muitos picos e quebras de produtividade, na Setenave por exemplo, grande parte dos trabalhos eram entregues a empreiteiros que, por sua vez os entregavam a subempreiteiros. Quem laborava para os subempreiteiros, recebia talvez um Quarto do que a Setenave pagava, ficando o resto na posse dos intermediários. Esses por sua vez, alimentavam a gulosice dos administradores dessas grandes empresas nacionais através daquilo a que hoje se dá o fino nome de “ Luvas “. O governo, esfregava as mãos ao nível da responsabilidade social (ou lá o que isso representa) e tinha todas as suas empresas públicas a funcionar cada vez mais com uma mão-de-obra barata. Há...mas era mão-de-obra ilegal? E... o que é que isso interessa. “- Pensava eu na minha inocência”!

Coisas da infância...

Na parede exterior do meu quarto, foi desenhada uma baliza com carvão e giz. A rua era mais silenciosa que o quarto, cedo, bem cedo, acordava com o estrondo das boladas na parede. Por duas ou três vezes , a bola foi mais longe entrando directamente pelo vidro da janela da casa de banho. Há falta de um cesto de basket, depressa improvisámos um e, o objectivo era, acertar no meio de uma placa que estava colada á parede, e onde estava escrito “ Rua Frei António das Chagas”.

Sábado


Sábado.
Num sábado á noite.
Igual a tantos outros.
Algo calmo depois de uma véspera de boémia.
Entrei por uma porta preta com 3 letras, ADN.
Era um bar, pedi uma cerveja.
Ouvia música.
Devo, clash, iggy pop, joy division.
Mais uma cerveja.
Kings of Leon, sex is on fire.
Troquei um olhar com uns olhos claros, grandes e profundos.
Que olhar! Terno, intenso e grato.
Eram só dois olhos.
Dois lindos olhos.
Cheios de sentimento
Com tudo para dar e receber.
Fiquei preso àquele olhar, por um grande e profundo momento.
Perdi o raciocínio, perdi as palavras.
Tempo de mais.
Aqueles olhos que falavam,
Desapareceram por entre a escuridão,
Daquelas 4 paredes.
E… o bar, esse tal de “ADN”.
Ficou vazio.
Vazio de afecto, vazio de ternura, vazio de esperança, vazio no olhar.
Nada mais interessava.
Só ficou a escuridão.

Praia


Estendido pelo areal deserto, de olhos bem fechados, vejo a luz que o dia nos traz e ouço as minúsculas ondas a enrolarem na areia como se o mar estivesse em paz.
Sozinho, porque por vezes gosto de me acompanhar, divago por um caminho de ilusão e regresso por outro de esperança.
Rescindo contrato com a vida lá fora e…olho sentido para este mundo cá dentro.
Abro os olhos, o calor aperta, o suor já desliza pelo corpo, os pensamentos agitam-se.
È hora de refrescar.
Mergulho… no fundo desse mar calmo claro e iluminado, aberto, visível, reconfortante, frio quente e fresco, cristalino, transparente e em paz.
Oh! -Quem me dera que fosse assim minha vida, como a vida desse mar que…vai e vem, que …vem e vai, que se agita e logo se tranquiliza, e que…sem cabeça, parece gerir inteligentemente sua alma.
Ao longe no horizonte, a imensidão.
Ao perto, a sua paz, o seu limite.
Por cima, o céu como seu tecto em forma de cúpula parece pintado de fresco, tal a uniformidade da sua cor.
Chego a pensar que é um túnel infinito, iluminado por esse sol que tudo atravessa, Túnel onde buscamos uma saída sem nos apercebermos que…a magia é estar cá dentro.
A vida é bela...
O mar deixou de fazer-se ouvir, agora está silencioso, relaxado…deitado.

A inocência das crianças...


Ontem, estava numa grande superfície aqui em Setúbal e o meu filho (9 anos) queria comprar algo pois estava com um espírito consumista. Disse-lhe que podia, mas, até 10€.Ele lá procurou, e chegou ao pé de mim com uns “Bakugans” ( o que esta gente inventa)dizendo, - Pai estes são espectaculares, era mesmo isto que eu queria.
Olhei para o preço e disse: - Eduardo… isso custa 18€, tínhamos combinado 10€,certo?
Resposta: - Vá lá pai! Eu quando achar dinheiro na rua, ou isso, eu pago-te os 8€!
Ok,ahahahahahaha...Ok.

Poeta escondido


Da timida vocação
Que nele existe com sentido
Não tem a perfeita noção
De ser um poeta escondido

Escrevendo, encontra a razão
De um pensamento perdido
Sem encontrar solução
Para o seu sentimento ferido

Do bico da caneta é banido
O silencio do poeta escondido

Liberta-se de caneta na mão
E num papel indefenido
Vai escrevendo pelo coração
A quem não o tem entendido

Quadras vazias, não…
Para melodias de ouvido
Vai sendo a opinião
Do raio do poeta esquecido
Do bico da caneta é banido
O silêncio no poeta escondido

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