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sábado, 20 de novembro de 2010

Imaginação

A imaginação apareceu sem avisar, empurrava-me puxando-me, e chateava o sossego onde me encontrava, como uma criança pequena. Convidava-me a sair, queria que a acompanhasse viajando e divagando por ai. Queria companhia, gostava de mim, talvez por isso aparecesse tantas vezes a visitar-me. Eu tratava-a bem, deixava-a ficar, e acompanhava-a aqui e ali com uma mente disponível para a receber. Ela gostava, adorava essa liberdade que lhe dava de poder deslizar pelo meu pensamento. Não me dava tudo, mostrava-me sinais. Janelas entreabertas para entrar, portas fechadas para sair, era esse o seu jogo, oferecer o brinquedo sem instruções. Por vezes, fazia-me transpirar um cansaço interno, numa mente dorida e exausta de procurar palavras para a descrever. Depois partia, deixando-me… e por ali ficava, estarrecido de saudade pensando no seu regresso.

dobicodacaneta, 20-11-2010

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